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Brasil e as barragens

by Nairo Alméri, Belo Horizonte - 29 July 1999

O I Encontro Latino-Americano de Barragens, dias 12 e 13 de agosto, colocará lado a lado construtores e despejados das áreas de barragens. A Comissão Mundial de Barragens, responsável pelo encontro, calcula que, anualmente, as barragens (reservatórios para hidrelétricas, abastecimento de água e regularização de rios) consomem US$ 50 bilhões e afetam diretamente a vida de 4 milhões de pessoas.
Criada como instituição independente - mantida por empreiteiras, ONGs, Banco Mundial e ONU -, a Comissão Mundial de Barragens colocará em discussão os impactos que esses projetos causam e a criação de medidas preventivas. O estudo dos impactos causados pela Hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, deverá ser concluído em um ano.

Essa será a primeira vez, na América Latina, que os despejados pelos projetos de barragens, ONGs, Banco Mundial e ONU sentarão na mesma mesa para a discussão dos problemas. Além dos aspectos sociais e econômicos, os impactos ambientais (principalmente o uso da água no próximo milênio) estarão nessa pauta. O encontro será no Centro Rebouças, em São Paulo.

Fiemg (no interior) de carona na greve Revoltado com a política fiscal do Governo e com os prejuízos que a paralisação dos caminhoneiros autônomos está causando ao setor produtivo, um cidadão, no KM-640 da BR-365, em Uberlândia, desabafou: “Os caminhoneiros só deveriam deixar passar pelos piquetes as ambulâncias. Mesmo assim, só aquelas que estivessem transportando doentes. Nós deveríamos ficar retidos e comer o que tivesse na beira da estrada".
O desabafo é até comum. O incomum está no seu autor, o empresário Antônio Valério Cabral Menezes, vice-presidente regional da Fiemg no Pontal do Triângulo. Dono da Cerâmica Tambaú Ltda, em Ituiutaba, o empresário justificou que “tudo que eles (caminhoneiros) estão falando, de aumento de combustível, frete e outras coisas, está nos afetando também".

No piquete Antônio Valério, ontem, foi um dos doze donos de cerâmica do Pontal, Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba que não conseguiu fazer seus produtos seguirem para Goiás, Brasília e Uberlândia. À tarde, por volta das 17h40, ele foi ver de perto o piquete da BR-365. Empresário do setor há 27 anos, ele é presidente também do Centro Regional de Desenvolvimento Industrial do Pontal do Triângulo (CRDI-Pontal).

Problema igual “Estou a favor da greve. Temos que desmascarar esse Governo, que não faz nada, além de ir para a “Veja" (revista) ameaçar com prisão empresário que não consegue pagar essa pilha de impostos. E os políticos corruptos? Esses ficam pelo Governo!", desabafou o dirigente da Fiemg, que acha que só mesmo com o “país parado, a sociedade se manifestará contra os erros do Governo".

Norte Mas Antônio Valério não está sozinho nos protestos das lideranças da Fiemg, no interior. O presidente do CRDI-Norte, de Montes Claros, Ariovaldo de Melo Filho, dono da Valé S/A, empresa da área de vacinas e biotecnologia, também declarou apoio aos caminhoneiros, ao ser ouvido por um setor daquela federação.

Advertência “O movimento é legítimo, porque é contrário à política do Governo de aumentar combustível e serviço público em situação de moeda estável", disse o empresário no começo da noite. Ele chamou a atenção do Governo para o risco do movimento se alastrar, caso seja mantida a “política dos aumentos públicos". Em Montes Claros, estão importantes empresas como o Grupo Coteminas (maior grupo têxtil do país) e a Biobrás.

Nestlé No Pontal, Triângulo e Alto Paranaíba, que, no final da década de 80, tentaram autonomia do resto de Minas, criando o Estado do Triângulo, existem mais três CRDIs. Presidir esses órgãos regionais da Fiemg é o reconhecimento de liderança empresarial. No Pontal, além da Cerâmica Tambaú, que não pôde enviar três caminhões de telhas para Brasília e Uberlândia, a fábrica da Nestlé perdeu três carretas com leite resfriado. Outro prejudicado foi o Frigorífico Bertim, que abate 1.200 bovinos/dia, exporta e manda carne para industrialização em Lins (SP).

A Companhia Cervejaria Brahma está investindo em marketing, neste ano, R$ 180 milhões. Parte dessa verba foi alocada no lançamento de cerca de 20 milhões de latas de 350 ml de cerveja com motivos da 44ª Festa do Peão Boiadeiro de Barretos.

Além do selo oficial do evento, que será colocado nas latinhas de 350 ml, a Brahma preparou também 2 milhões de latas de 473 ml com o tema Barretão e com decoração inspirada no jeans. As latas de 350 ml serão distribuídas para todo o Estado de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Sul de Minas Gerais, Goiás, Paraná e Santa Catarina, e a de 473 ml, em São Paulo (Capital e Interior).

Na hora em que o consumidor começar a pedir Nota Fiscal, vai descobrir por qual buraco o seu salário está sumindo. Em Belo Horizonte, a empresa Hydra Deca (representante Deca) cobra R$ 8,50 por uma válvula nova de sanitário e R$ 10,00 pela mão de obra. Na troca, o operário não leva mais que cinco minutos. Está aí um custo para o consumidor que é a própria ração do dragão da inflação.

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